Demorei pra perceber que estava jogando o jogo errado.

Startup não é sobre tecnologia — mas ninguém admite isso.

As "empresas inovadoras" que você tanto admira? Não têm tanto de inovação assim. A verdade nua e crua: se elas nunca tivessem existido, alguma outra empresa criaria algo praticamente idêntico em 3 ou 4 anos.

Não são imprescindíveis. Não são únicas.

São raríssimas as startups com tecnologia genuinamente revolucionária.

Sabe quem faz inovação de verdade? Laboratórios. Universidades. Os obsessivos da Xerox PARC, do Skunk Works da Lockheed. Cientistas e engenheiros obcecados por matemática, física, pelos limites do possível.

Mas esses não ficam ricos.

Aqui está o segredo que ninguém conta:

Startups são empresas de vendas.

As "empresas inovadoras" são, na verdade, máquinas de posicionamento. Pegam uma tecnologia nem tão inovadora assim e a empacotam para resolver um problema — com escalabilidade brutal.

A regra do jogo nunca foi tecnologia. É vendas.

Quem tem mais chance nesse jogo? Não são os engenheiros brilhantes ou os cientistas geniais. São os vendedores implacáveis, os marketeiros visionários, os negociadores que enxergam três passos à frente.

Eu estava jogando o jogo errado. E demorei pra perceber.

Acreditava que o segredo era desenvolver a melhor tecnologia, criar algo verdadeiramente inovador.

Não é. Nunca foi.

Mas a narrativa vendida nas publicações, nos eventos de tech, nos vídeos motivacionais — todos fingem que é sobre tecnologia, sobre inovação, sobre mudar o mundo.

Mentira.

As maiores empresas, as startups que explodem: todas elas dominaram a arte das vendas. Canais de distribuição. Posicionamento cirúrgico. Marketing viral. Parcerias estratégicas.

A tecnologia? Mera coadjuvante.

Alguma startup vai bater no peito, indignada, jurando que é diferente, que foi genuinamente inovadora.